Melodrama Mexicano

O último dia de trânsito em São Paulo

Hoje é dia 14 de novembro de 2011 e o texto a seguir é uma ideia do que pode acontecer dentro de um ano. Espero que todas as previsões estejam erradas, mas pode acontecer. Dia 14 de novembro de 2012 será uma quarta feira véspera de um imenso feriado prolongado. Dia 15 (quinta) será Proclamação da República então pouca gente trabalhará na sexta: feriado prolongado calor praia diversão. Terça feria (dia 20) é feriado em muitas cidades brasileiras, incluindo São Paulo, dessa forma, muita gente não trabalhará – estudará na segunda, ou seja, grande parte dos paulistanos trabalhará na quarta (14/11/12) e voltará ao trabalho na quarta seguinte (21/11/12). O que acontecerá com o trânsito no dia 14 (falta um ano para isso)? Muitos e muitos carros sairão de suas casas no mesmo horário, mas serão tantos carros que não haverá mais para onde ir, as pessoas terão que deixar os carros lá parados para todo o sempre porque não haverá nenhum espaço para nenhum carro em nenhum lugar. Será o fim do trânsito para sempre nesta cidade.

Que lindo futuro teremos pela frente. Sem trânsito, sem poluição, com pessoas saudáveis que caminham até os seus trabalhos e escolas e assim (não) caminha a humanidade.

Sobre “Duas Chuvas” ou de como as lágrimas caem.

Duas Chuvas são como duas lágrimas que insistem em permanecer em nossos olhos por pouco mais de uma hora. Lágrimas que, às vezes, escorrem pelo rosto, outras ficam paradas no cantinho esperando o momento de cair e este momento inexoravelmente virá.

O texto de Zaqueu Machado mostra a dor da perda de um filho, e também a dor das relações que se deterioram com o tempo, com a falta de dinheiro e as frustrações de estar esperando do outro mais do que ele pode dar. Será que é sempre assim? Talvez.

A direção, também de Zaqueu Machado, é como um quadro Renascentista. Um olhar vivo que acompanha o espectador, mais do que este ao espetáculo.

 Duas chuvas traz as sombras yunguianas ao espectador que passa a ser cúmplice de uma dor compartida, dividida entre o casal que se ama, mas é incapaz de superar o trauma maior da perda da filha.

Há um imenso vazio de esperança no peito dos personagens, quiçá só a morte possa curar a dor da morte.

E no final, quando as luzes se apagam completamente e a chuva por fim cessa, há um silêncio, um longo silêncio que antecede os primeiros aplausos. São os espectadores que limpam as lágrimas antes de reverenciar os excelentes atores em cena.

11 em campo

Texto dos alunos da Oficina “O futebol é muito mais que uma caixinha de surpresas”. 2011/1

11 em campo – Crônicas de futebol

Boa leitura

Pra não dizer que não falei de futebol

E começou o Campeonato Brasileiro. Campeonato longo, longo. São 38 rodadas. 8 meses de futebol, às vezes de excelente qualidade, outras de nível baixíssimo. Vou dar algumas explicações sobre como funciona um campeonato assim, será de maneira muito básica, quase didática só para defender no final uma tese pouco falada nos últimos tempos. Em cada uma das rodadas os times têm opções, e somente 3: ganhar empatar ou perder. Parece óbvio, mas as explicações a seguir mostrarão que não. O campeonato é de pontos corridos, ou seja, quem chegar ao final das 38 rodadas com mais pontos é o campeão. Simples, né? Cada vitória dá 3 pontos o empate 1 e a derrota nenhum (ainda bem). Agora vem o ponto chave. Se cada rodada vale 3 pontos porque só nas últimas a mídia esportiva brasileira vai começar a reclamar que tem time entregando jogo, colocando time reserva em campo? Vamos ver técnicos e jogadores chorando de montão quando o adversário for “ajudado”. Será que os 3 pontos da última rodada valem mais que os 3 da primeira? Pela minha matemática não. E como vimos que os pontos são sempre os mesmo podemos afirmar então que Corinthians e Botafogo foram ajudados na segunda rodada do campeonato já que seus adversários (Coritiba e Santos, respectivamente) entraram em campo com seus times reservas – eu particularmente acho que fizeram certo – mas não vi durante a semana nenhuma reclamação de nenhum time, ninguém falou, comentou esperneou sobre isso, mas se fosse na rodada 36 seria um absurdo. Agora que as explicações estão claras (espero que estejam) vamos parar de reclamar que o time A ou B colocou reservas, juniores, time de várzea em campo nas últimas rodadas, certo?

O Metrô (e o trânsito) de São Paulo

 

Eu, embora tenha carro, prefiro muito mais um metrô lotado que horas de trânsito. Acho absurda a construção de cada vez mais e mais vias para carros e menos investimento no que poderia ser uma política, pelo menos um pouco mais inteligente, de circulação viária nas grandes cidades. Parece que a síndrome de Maluf pegou a todos, parece que a única opção é fazer mais caminhos para os carros poderem andar mais, nunca se pensa nas pessoas e sim nos carros. São Paulo tem hoje quase (ou mais de) 7 milhões de carro. Para uma cidade de 11 milhões a conta realmente não fecha. Não há ruas suficientes e aqui a conta de Malthus realmente pode ser que sirva: o número de carros cresce geometricamente e o número de vias aritmeticamente. Quando vejo gastos de bilhões na melhoria das Marginais fica incomodado. Bilhões em mais e mais asfalto, na continuidade do mesmo.

Mas o objetivo do post é outro. A foto abaixo foi tirada por mim na sexta feira (21/01) às 15h30 entre as estações Armênia e Tiradentes. Éramos umas 8 ou 9 pessoas no vagão. Então nessa hora pensei: Será que a culpa da superlotação nos trens é do Metrô ou da distribuição de fluxo? Por que a maioria da população paulistana tem que trabalhar das 8 às 18h? Será que se mudássemos um pouco essa história poderíamos ter um fluxo menor nas horas chamadas de rush e um fluxo maior em outros horários. Acho que sim. Aqui no Brás, por exemplo, todas as lojas (ou quase todas) trabalham nesse horário. Qual seria o mal se algumas abrissem às 10h e fechassem um pouco depois outras às 11h e outras às 7h?

Uma melhor distribuição de horários, melhoria o fluxo e todas as linhas do Metrô e muito possivelmente em todas as linhas de ônibus também.  Fica a proposta.

 

O aeroporto tá parecendo rodoviária

Se o Brasil continuar crescendo e distribuindo renda, quem é que vai empacotar nossas compras?


O FUNCIONÁRIO do supermercado empacota minhas compras. A freguesa se aproxima com sua cesta e pergunta: “Oi, rapazinho, onde fica a farinha de mandioca?”. “Ali, senhora, corredor 3.” “Obrigada.” “Disponha.”
A cena seria trivial, não fosse um pequeno detalhe: o “rapazinho” já passava dos quarenta. Teria a mulher uma particularíssima disfunção neurológica, chamada, digamos etariofasia aguda? Mostra-se a ela uma imagem do Papai Noel e outra do Neymar, pergunta-se: “Quem é o mais velho?”, ela hesita, seu indicador vai e vem entre as duas fotos, como um limpador de para-brisa e… Não consegue responder.
Infelizmente, não me parece que a mulher sofresse de uma doença rara. Pelo contrário. A infantilização dos pobres e outros grupos socialmente desvalorizados é recurso antigo, que funciona naturalizando a inferioridade de quem está por baixo e, de quebra, ainda atenua a culpa de quem tá por cima.
Afinal, se fulano é apenas um “rapazinho”, faz sentido que ele nos sirva, nos obedeça e, em última instância, submeta-se à tutela de seus senhores, de suas senhoras.
Nos EUA, até a metade do século passado, os brancos chamavam os negros de “boys”. Em resposta, surgiu o “man”, com o qual os negros passaram a tratar-se uns aos outros, para afirmarem sua integridade.
No Brasil, na segunda década do século XXI, o expediente persiste.
Faz sentido. Em primeiro lugar, porque persiste a desigualdade, mas também porque todo recurso que escamoteie os conflitos encontra por aqui solo fértil; combina com nosso sonso ufanismo: neste país, todo mundo se ama, não?
Pensando nisso, enquanto pagava minhas compras, já começando a ficar com raiva da mulher, imaginei como chamaria o funcionário do supermercado, se estivesse no lugar dela. Então, me vi dizendo: “Ei, “amigo”, você sabe onde fica a farinha de mandioca?”, e percebi que, pela via oposta, havia caído na mesma arapuca.
Em vez de reafirmar a diferença, reduzindo-o ao status de criança, tentaria anulá-la, promovendo-o ao patamar da amizade. Mas, como nunca havíamos nos visto antes, a máscara cairia, revelando o que eu tentava ocultar: a distância entre quem empurra o carrinho e quem empacota as compras.
“Rapazinho” e “amigo” -ou “chefe”, “meu rei”, “brother”, “queridão”- são dois lados da mesma moeda: a incapacidade de ver, naquele que me serve, um cidadão, um igual.
Não é de se admirar que, nesta sociedade ainda marcada pela mentalidade escravocrata, haja uma onda de preconceito com o alargamento da classe C, que tornou-se explícito nas manifestações de ódio aos nordestinos, via Twitter e Facebook, no fim do ano passado.
Mas o bordão que melhor exemplifica o susto e o desprezo da classe A pelos pobres, ou ex-pobres que agora têm dinheiro para frequentar certos ambientes antes fechados a eles, é: “Credo, esse aeroporto tá parecendo uma rodoviária!”. De tão repetido, tem tudo para se tornar o “Você sabe com quem está falando?!” do início do século XXI. Se o Brasil continuar crescendo e distribuindo renda, os rapazinhos, que horror!, ganharão cada vez mais espaço e a coisa só deve piorar. É preocupante. Nesse ritmo, num futuro próximo, quem é que vai empacotar nossas compras?

antonioprata@uol.com.br

@antonioprata

Blog “Crônicas e Outras Milongas”
antonioprata.folha.blog.uol.com.br

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1901201104.htm

Dos 8 aos 80.

Todos os anos a Rede Globo lança algumas séries de televisão novas. Há épocas em que acertam de mão cheia e os seriados passam a fazer parte da programação normal, com temporadas e mais temporadas – como, por exemplo, “A Grande Família”- Outras vezes, no entanto, eles erram a mão e fazem cada coisa ruim que dá vergonha alheia. O ano de 2010 teve um primeiro semestre realmente péssimo nesse sentido. Pelo menos duas séries muito ruins (“A Vida Alheia” e “SOS Emergência” – este último conseguiu uma nova temporada no segundo semestre, não sei como). Já no segundo semestre a melhora foi impressionante. A Globo conseguiu fazer duas séries fabulosas: “Clandestinos” e “Afinal, o que querem as mulheres?”.

Clandestinos (de Guel Arraes, João Falcão e Jorge Furtado com direção do João Falcão). conseguiu reunir novos atores numa história muito bem bolada. Esses novos atores são melhores que pelo menos uns 90% dos atores que já estão na Globo, com certeza. Vou dar só um exemplo, Eduardo Landim, garoto que nunca tinha visto uma câmera de TV na frente, mas que pelo menos, como o pouco que vimos dele poderia ser o principal ator de qualquer grande produção da emissora ou do cinema, simplesmente genial.

Já “Afinal, o que querem as mulheres?” (do incrível Luis Fernando Carvalho) é um dos melhores programas que a Globo já fez nos últimos tempos. Muito bem escrito, dirigido e, sobretudo, atuado por grandes atores conhecidos e por outros desconhecidos que fizeram do programa um marco para a televisão (claro que é bem provável que tenha tido uma baixíssima audiência tanto pelo horário quanto pela diferença de outros programas). A mistura de diferentes linguagens, o texto, às vezes poético, outras surreal, transformam o programa em uma série obrigatória para os amantes da boa televisão.

Termino retornando ao título deste post. Pelo que podemos verificar a Globo neste ano de 2010 foi do 8 – com séries de péssima qualidade –  aos 80, com algumas coisas verdadeiramente impressionantes.

A chegada do Nicolas

Este é o Nicolas, filho da minha querida prima Paulinha.

Nasceu hoje no Hospital Cruz Azul às 17:35 com 3,165Kg e 47 cm.

Primeira foto (tirada pelo papai na sala de parto)

 

 

 

 

 

 

No bercinho

Ainda no bercinho

Sobre o querer ganhar sempre

Durante um mês morei em Buenos Aires e nessa época percebi que era comum nos mercados, mercadinhos, restaurantes, etc, uma tentativa de enrolar o cliente (no caso eu), pensava que era por ser estrangeiro. Quase sempre vinham cobrando coisas a mais, o preço que estava marcado não era o que saia no caixa do mercado; eu reclamava, eles pediam desculpas, devolviam o dinheiro ou arrumavam o que estava errado na conta, diziam que aquilo nunca acontecia e ficava tudo por isso mesmo. Num dos mercados eles até tinham um “caixa 2” só para devolver o dinheiro dos que reclamavam, foi quando eu percebi que o motivo não era eu ser brasileiro e eles quererem enganar o “brazuca”, faziam isso com todos, argentinos ou não argentinos.

No entanto, pelo que vi nos últimos tempos, esta prática está longe de ser exclusiva dos argentinos. Há alguns meses, fui ao Extra Hipermercados da Mooca e havia uma série de vinhos com desconto do tipo Compre 3 e leve 2 ou valor unitário de x se levar acima de 3 unidades cada uma sai por y. Na hora de passar no caixa os valores vinham sem os referidos descontos de promoção. Assim como tinha feito em Buenos Aires reclamei e consegui que todos os descontos fossem dados. Ontem voltei ao mesmo mercado e na hora de passar no caixa a mesma coisa. Dessa vez, descobri que o tal “caixa 2” para devolução do dinheiro de quem reclama também existe por aqui. Não acreditei. Num mercado do tamanho da rede Extra um esquema para devolver o dinheiro rapidamente dos que reclamam. Quantos não reclamarão? Quantas vezes já fizemos compras em grandes mercados e fomos enganados? É impossível lembrar o preço de cada coisa que pegamos e colocamos nos carrinhos, acreditamos e confiamos que o preço mostrado será o preço cobrado, mas não é bem assim. Será que por isso a rede Pão de Açúcar consegue ser essa gigante que é? Roubando as pessoas? (Pensei muito no uso desse verbo roubar e achei que talvez fosse melhor colocar furtar, uma vez que não houve violência física, mas depois vi que a violência moral também conta, então fica roubar mesmo). No meu caso numa compra de R$400,00 eles ficaram, sorrateiramente, com R$15,00, pouco mais de 3,5%. Quanto será isso de faturamento – fraudulento no final de um mês de compras num mercado que é 24 horas e que raramente alguém fica menos de 30 minutos na fila do caixa? Quanto ganhará esse mercado roubando seus clientes? Muito. Com certeza, muito.

Unindo as duas pontas desta história: em Buenos Aires vi isso acontecendo nos mercadinhos de bairro – não cheguei a fazer compras em grandes mercados. Aqui acontece na maior rede de supermercados do país.  Tristes coincidências.

Por fim, não há no site no Extra nenhum lugar no qual os clientes possam fazer reclamações. Você pode comprar coisas, mas nunca reclamar com ninguém. Que pena!

 

Indignação de um ex-cliente

Marcos Maurício Alves da Silva

 

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.