Duas Chuvas são como duas lágrimas que insistem em permanecer em nossos olhos por pouco mais de uma hora. Lágrimas que, às vezes, escorrem pelo rosto, outras ficam paradas no cantinho esperando o momento de cair e este momento inexoravelmente virá.
O texto de Zaqueu Machado mostra a dor da perda de um filho, e também a dor das relações que se deterioram com o tempo, com a falta de dinheiro e as frustrações de estar esperando do outro mais do que ele pode dar. Será que é sempre assim? Talvez.
A direção, também de Zaqueu Machado, é como um quadro Renascentista. Um olhar vivo que acompanha o espectador, mais do que este ao espetáculo.
Duas chuvas traz as sombras yunguianas ao espectador que passa a ser cúmplice de uma dor compartida, dividida entre o casal que se ama, mas é incapaz de superar o trauma maior da perda da filha.
Há um imenso vazio de esperança no peito dos personagens, quiçá só a morte possa curar a dor da morte.
E no final, quando as luzes se apagam completamente e a chuva por fim cessa, há um silêncio, um longo silêncio que antecede os primeiros aplausos. São os espectadores que limpam as lágrimas antes de reverenciar os excelentes atores em cena.
Publicado por Vanessa Mosseri em 10/10/2011 às 13:45 r r
Olá
Sou Vanessa, a atriz que interpreta a Dilma, e não consigo deixar de dizer o quanto suas palavras me tocaram e mais, conseguiram traduzir de maneira profundamente simples e brilhante o que tentamos passar.
Parabéns à você e obrigada pelo texto inspirador.
Um beijo grande.
Publicado por marcosmauricio em 10/10/2011 às 16:25 r r
Olá, Vanessa. Sou amigo do Zaqueu há muitos anos e conheço inúmeros textos dele, mas esse realmente me chamou muito a atenção. Além disso, a representação de vocês está fantástica. Parabéns. Eu já tinha comentado de você com ele desde que a vi representando a professora francesa.
Agora uma dúvida. Como foi que viu o texto aqui no blog?
Beijos
Publicado por Renan em 10/10/2011 às 17:21 r r
Oi,
Sou Renan, o ator que interpreta o Henrique. Faço minhas as palavras da Vanessa, muitíssimo obrigado pelas palavras tão inspiradoras. Sem dúvida sábado que vem e por toda a temporada ainda estaremos inflados por elas!
Grande abraço,
Renan